Rúben dá um empurrão
ANDRÉ VIANA/CARLOS GOUVEIAEstá por um fio a transferência de Falcao para o Atlético de Madrid, mas o dado novo é que o avançado pode não ir sozinho. Jorge Mendes deve acrescentar Rúben Micael ao "pack" de reforços dos colchoneros, sendo que o curioso da operação é a iminência de que tudo termine numa espécie de "pague 1, leve 2". Pela dupla do FC Porto, o Atlético chega-se à frente com cerca de 45 milhões de euros, o tal número mágico que está previsto na cláusula de rescisão que Falcao rubricou há pouco mais de um mês.
É uma maquia generosa e que permitirá pôr termo a um cenário de desconforto motivado pela vontade de El Tigre em sair e pela intransigência dos dragões quanto a um lucro retumbante e que entra directamente para o 1º lugar da história das transferências de clubes nacionais.
Com Jorge Mendes na capital espanhola para encerrar um conjunto de operações verdadeiramente ímpar, tudo se conjuga para que Falcao e Rúben Micael sejam confirmados como reforços dos colchoneros, ainda que nenhum dos jogadores, que treinaram ontem no Olival, tenha sido inscrito na lista da UEFA do Atlético, que podia ter sido alterada até às 24h00 de ontem.
Aliás, a jornada foi longa para o homem forte da Gestifute, que se reuniu com o conselheiro delegado do Atlético de Madrid, Gil Marín, durante mais de quatro horas no Vicente Calderón. Não houve fumo branco e os clubes nada anunciaram, mas é indisfarçável que tudo concorre para um acordo de vulto e que enche os cofres do Dragão.
Aliás, o FC Porto faz finca-pé nos 45 milhões de euros, número atingido e, quiçá, superado com a inclusão de Rúben Micael no negócio e que permite à SAD "aliviar" um sector sobrecarregado, garantindo ainda algum encaixe com um médio que tinha contrato até 2015. Rúben Micael custou três milhões de euros em Janeiro de 2010 e é um jogador pelo qual os dragões pedem mais de cinco milhões.
Tapado por Moutinho, Guarín, Belluschi e Defour, a saída interessa ao internacional português, que precisa de competição para ganhar lugar na convocatória para o Euro'2012.
É real a possibilidade de o madeirense entrar na operação, mas sempre esteve descartada, para os dragões, a inclusão de moedas de troca como Elias ou Salvio. O JOGO fez ontem eco das informações que corriam em Espanha, mas que não colhem na Invicta. É que o Atlético de Madrid tem um problema em mãos assim que fechar com Falcao: excesso de extracomunitários. Limpar Elias ou Salvio caía que nem sopa no mel para os colchoneros, que assim amortizavam na verba a pagar ao FC Porto e resolviam o tal excedente no plantel.
Neste momento, o segredo é a alma do negócio. Por isso, do lado do Atlético do Madrid, que hoje joga com o Guimarães, só Gregorio Manzano e Tiago abriram a boca. O treinador e o médio estiveram na sala de Imprensa para lançar o tal encontro com os minhotos e foram pouco mais do que diplomáticos quando confrontados com o nome de Falcao. "Neste momento, não está na minha cabeça. Não é jogador do Atlético de Madrid. Não é o momento de falar de hipóteses", vincou, antes de Tiago acrescentar que o colombiano é, realmente, "um grande jogador".Das palavras de circunstância aos actos deve ser uma questão de horas. O processo rola e, no Dragão, já todos vêem a saída do matador como irreversível. Se Jorge Mendes "limpar" a sua quota no clube (fica só com o emprestado Ukra e com o negociável Orlando Sá), junta-se o útil ao agradável. E Pinto da Costa lá bate mais um recorde que, por acaso, até lhe pertence...
31,5
Milhões de euros foi quanto o Manchester United pagou por Anderson em 2007. É a maior transferência de sempre de um clube português. Seja qual for o número que sair do acordo com o Atlético de Madrid, Falcao entrará directamente para o 1º lugar do ranking 24
Milhões de euros foi quanto o Lyon pagou pelo avançado que Falcao veio substituir, em 2009. Lisandro López parecia ser um fantasma para quem lhe seguisse, mas El Tigre dinamitou os números de Licha
72
Golos marcou El Tigre ao serviço dos azuis e brancos. Realizou 87 jogos, o que lhe dá uma média de 0,83 golos por um jogo. Uma marca de sonho e realçada por 21 tentos europeus, 18 dos quais na época passada, o que constituiu um recorde na UEFA
19
Jogos a titular fez Rúben Micael em toda a época transacta. Pouco mais do que em apenas três meses na meia época de estreia pelos azuis e brancos (17). O seu impacto imediato em 2009/10 esfumou-se com a lesão sofrida e a afirmação de Belluschi e de Guarín com Villas-Boas encurtou ainda mais o seu espaço. Com Vítor Pereira, começou a titular...
in , ojogo.pt